quinta-feira, 14 de junho de 2018

Outra vez a Trindade... outra vez o Homem

Séneca (4 a.C.- 65 d.C.), em Cartas a Lúcílio, livro XIV, carta 90, fala das faculdades humanas: capacidade, actividade e vontade.
Santo Agostinho (354-430), em Confissões, dirá essencialmente o mesmo, mas para mim é mais fácil trabalhar as palavras de Séneca, se bem que o meu pensamento sobre a matéria em foco deve mais ao Bispo de Hipona que a qualquer outro vulto da intelectualidade ocidental.
Portanto, de Séneca retiro a ideia de que o eu é triádico, qual trevo cujas folhas recebessem uma o nome de capacidade, outra o de actividade e a terceira o de vontade.
Para não tropeçarmos nestas coisas, urge ter presente que as três faculdades humanas, embora distintas, não podem sofrer separação entre si.
Suponhamos agora que personificamos as nossas faculdades: a capacidade é o António, a actividade o Antonino e a vontade a Antónia.
Verifica-se assim que cada um de nós é uma micro-sociedade. Esta só funciona porque capacidade e actividade estão unidas pela força da vontade. Se isto se passa em cada um de nós, então a inexorável directiva é que cada um se deve unir ao próximo para o funcionamento de uma sociedade inteira.
É aqui que surge a revelação bíblica. Para esta, a fasquia mais alta do homem não pode ser o homem, a menos que o homem se queira auto-exterminar.
Eis por que as três faculdades humanas são personificadas (hipostasiadas) em uma Sociedade Divina, a saber, Pai (Capacidade) e Filho (Actividade) na unidade do Espírito Santo (Vontade).


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