domingo, 27 de maio de 2018

Peregrinação e fio condutor da escrita 5

Meus amigos, eu já vou entrar no capítulo 60 da obra de Fernão Mendes Pinto e ainda não encontrei o fio desta intrincada meada... desculpem, não encontrei o fio condutor da escrita.
Imaginem um conjunto de mosaicos todos diferentes uns dos outros que fazem o chão de uma sala. Assim me parece esta Peregrinação.
Não deixo de ver que no texto em foco toda a ventura se deve à infinita misericórdia de Deus; toda a desventura aos pecados. Ora vejam-se estas palavras já registadas no primeiro capítulo: «[...], e por outro me ajudem a dar graças ao Senhor omnipotente por usar comigo da sua infinita misericórdia, apesar de todos meus pecados, porque eu entendo e confesso que deles me nasceram todos os males que por mim passaram, e dela as forças e o ânimo para os poder passar e escapar deles com vida».
No meio disto tudo, o que muito se estranha é que as personagens, repetidamente, safas de apuros, logo se metem noutros, olvidando toda a contrição de dias atrás ou mesmo horas.
Aqui e acolá fico com a impressão de que se faz o mal por prazer de fazer o mal, episódio do rapto da noiva ao noivo, capítulo 47. Esta estrutura do pecado já se vê nas Confissões de Santo Agostinho, mas neste Padre da Igreja também se vê, ab initio, que o discurso está ao serviço da conversão (mudança), o que não é o caso da Peregrinação de Fernão Mendes Pinto.
Se não encontro o fio condutor desta escrita, como saio deste labirinto?
Relembro que não estou disposto a dar as minhas respostas de leitura com as categorias académicas, nomeadamente o pícaro.
Graças a Deus, atingi alguma adultez intelectual, razão por que seguirei o meu caminho, sem que deixe de estar grato à Universidade. 

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