quinta-feira, 24 de maio de 2018

O politicamente correcto e o ar de inocência

O politicamente correcto é terrorismo cultural, mas apresenta-se às populações com o ar da maior inocência deste mundo.
Em primeiro lugar, o politicamente correcto invoca a liberdade para medrar no seio do povo, mas não tolera quem se lhe oponha, ainda que se invoque também a mesma liberdade. Isto porquê? Porque a vocação do politicamente correcto é totalitária.
Em Alcochete, o politicamente correcto é levado a cabo por meia dúzia de pessoas que lançam para cima do povo eventos culturais completamente alheios a esse mesmo povo.
Quem está por trás dessas porcarias, fala assim... com ar de aparente inocência: «Nesta conferência, o público é convidado a conhecer esta prática ancestral da meditação desenvolvida no oriente e quais os seus benefícios para equilibrar a mente, as emoções e a encontrar a paz que todos procuramos» (negrito meu).
Isto trabalha para o quê? Isto trabalha para desenraizar as pessoas da base cristã e de toda a caminhada espiritual própria do Cristianismo há dois mil anos: os Padres da Igreja, nomeadamente Santo Agostinho; São Tomás de Aquino; toda a Escolástica; Papas da era moderna, por exemplo, Leão XIII, Pio XII, João Paulo II, Bento XVI.
Mas a crítica ao desdobrável da Câmara Municipal de Alcochete não acaba aqui.
Suponhamos que estou a ler Confissões de Santo Agostinho. Há entre mim e o texto uma grande sintonia porque sou ocidental e a obra em foco é um marco de ocidentalidade. Depois, graças a Deus, tenho capacidade para cotejar a tradução em português com o Latim, língua daquele Padre da Igreja.
A pergunta que faço é a seguinte: quantas pessoas, em Portugal, existem que têm acesso, em primeira mão, à meditação exercida nas culturas orientais? Há uma para cada dedo das minhas mãos?
Finalmente, digo que a mente equilibra-se treinando o intelecto das pessoas à adequação ao real... que isto, segundo nos ensina São Tomás, é a verdade. Quanto ao equilíbrio das emoções, há a dizer que devemos submetê-las às razão, única forma de distinguirmos o verdadeiro do falso. E a paz? O encontro com esta só é possível na luta contra toda a desunião, fonte de todo o mal.

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