sexta-feira, 15 de junho de 2018

As cidades educadoras e Alcochete


A Câmara aprovou a 13 de Junho passado a adesão do município de Alcochete à Associação Internacional das Cidades Educadoras e prepara-se para submeter tal decisão à Assembleia Municipal no próximo dia 21 de Junho. 
O projecto das cidades educadoras defende o multiculturalismo... como se fosse possível a convivência dos anjos entre três ou quatro culturas sem que uma delas não se sobrepusesse às restantes.
Em Portugal, a dispersão destas cidades educadoras é sobretudo pelo litoral Atlântico, de Lisboa às costas minhotas.
A sul do Sado, pela costa Atlântica, haverá mais três ou quatro cidades educadoras e outras tantas no litoral algarvio.
O interior do País, de norte a sul, pouquíssimo mais contabiliza que meia dúzia destas cidades educadoras. Porquê? Porque o interior de Portugal é atrasado? É perigosíssimo, amigos, pensar assim!
O interior do País é mais conservador e não quer a marxização dos municípios.
Sim, o projecto das cidades educadoras é um projecto marxista. De caminho, diga-se que o marxismo é a filosofia do comunismo.
O projecto das cidades educadoras é marxista... é uma utopia, palavra que significa, do grego, em lugar nenhum.
Ora toda a utopia é má porque não conta com a inexorável natureza humana.
Quando estamos a ler a carta das cidades educadoras, verificamos sem dificuldade que todo o projecto é um idílio, fazendo-nos lembrar a ilha utópica de Tomás Moro onde tudo corria sobre rodas como se os respectivos habitantes estivessem livres da criminalidade hereditária que em Teologia recebe o nome de pecado original.
A palavra que é recorrente ao longo de todo o texto é igualdade, mas nós sabemos que em nome desta foram mortos para cima de cem milhões (100.000.000) de pessoas às mãos de Estaline e Mao Tsé-Tung no séc. XX.
Meus amigos, nós somos todos iguais perante a lei, mas no resto não somos iguais quase em coisa nenhuma.
O alvo privilegiado das cidades educadoras são as crianças e jovens que absorverão todos estes contra-valores de um humanismo descarnado, mas quando a fasquia mais alta do homem é o próprio homem, arriscamo-nos a criar dentro de portas os nossos próprios assassinos.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Outra vez a Trindade... outra vez o Homem

Séneca (4 a.C.- 65 d.C.), em Cartas a Lúcílio, livro XIV, carta 90, fala das faculdades humanas: capacidade, actividade e vontade.
Santo Agostinho (354-430), em Confissões, dirá essencialmente o mesmo, mas para mim é mais fácil trabalhar as palavras de Séneca, se bem que o meu pensamento sobre a matéria em foco deve mais ao Bispo de Hipona que a qualquer outro vulto da intelectualidade ocidental.
Portanto, de Séneca retiro a ideia de que o eu é triádico, qual trevo cujas folhas recebessem uma o nome de capacidade, outra o de actividade e a terceira o de vontade.
Para não tropeçarmos nestas coisas, urge ter presente que as três faculdades humanas, embora distintas, não podem sofrer separação entre si.
Suponhamos agora que personificamos as nossas faculdades: a capacidade é o António, a actividade o Antonino e a vontade a Antónia.
Verifica-se assim que cada um de nós é uma micro-sociedade. Esta só funciona porque capacidade e actividade estão unidas pela força da vontade. Se isto se passa em cada um de nós, então a inexorável directiva é que cada um se deve unir ao próximo para o funcionamento de uma sociedade inteira.
É aqui que surge a revelação bíblica. Para esta, a fasquia mais alta do homem não pode ser o homem, a menos que o homem se queira auto-exterminar.
Eis por que as três faculdades humanas são personificadas (hipostasiadas) em uma Sociedade Divina, a saber, Pai (Capacidade) e Filho (Actividade) na unidade do Espírito Santo (Vontade).


quarta-feira, 13 de junho de 2018

A Professora Adelaide


Professora Adelaide
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Maria Adelaide da Silva Santos nasceu a 6-6-1933 em São Jacinto, freguesia do Distrito de Aveiro.
Fez a instrução primária na terra que teve por berço, seguindo para a Escola Comercial de Aveiro onde concluiu o curso de contabilista.
Por razões profissionais que se acabam por impor a Maria Adelaide, esta jovem pediu equivalência dos seus estudos ao Liceu e finalizou o 5º ano.
De seguida deu entrada no Magistério Primário, também em Aveiro, terminando o curso já casada com o Sr. Manuel Fernandes Matias, capitão da Força Aérea.
A Professora Adelaide começou a ensinar pela primeira vez em Alcochete, decorria o ano de 1958, precisamente na escola do Moisém, sendo Delegado Escolar o Professor Francisco Leite da Cunha.
Já passaram sessenta anos. Eu tinha oito e era aluno do Professor Leite na escola do Rossio. Sentado no meu banco, lembro-me da Professora Adelaide, muito jovial, entrar na sala, à frente de três ou quatro colegas, para falar com o Delegado.
Do Moisém, onde só esteve um ano, a Professora Adelaide mudou para a escola do Monte Novo, aqui leccionando até à merecida aposentação em 1995.
Eis a minha modesta homenagem à Professora Adelaide - assim é conhecida em toda a terra de Alcochete - cujo rigor e competência não serão esquecidos por gerações de alunos e alunas. 
  

domingo, 10 de junho de 2018

Cristianismo e baptismo

Eu fui baptizado, há mais de sessenta anos, em nome de uma União.
Qual união?
A do Deus uno e trino, um só Deus em três pessoas distintas, Pai e Filho na unidade do Espírito Santo.
Isto quer dizer o quê?
Atrás do Pai e do Filho e do Espírito Santo, porque fomos criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1. 26), estão as faculdades de cada ser humano, capacidade e actividade unidas pela vontade que constituem o eu de cada indivíduo.
Por exigência lógica, a unidade constitutiva de cada um deve unir-se à unidade constitutiva do outro até aos confins da Terra.
Portanto, eu fui baptizado em nome da união da humanidade, única via para a plenitude da vida em Cristo, Senhor pela Criação.

Dia de Portugal

Hoje é dia de Portugal... de um Portugal inserido na Europa... na Europa do multiculturalismo.
Só quem não sabe o que é o homem e o que é a cultura pode viver em paz com o multiculturalismo.
Vamos à coragem para a busca da verdade... porque esta é precisamente a definição de inteligência desde a mais alta antiguidade.
Eu sou cristão e católico. Ora pelo que há de mais profundo no tecido do cristianismo, eu não posso comer à mesma mesa dos que fazem pouco desse mesmo cristianismo. É este que me diz que eu não posso estar de bem com todos: «Pelo sinal da Santa Cruz, livre-nos Deus nosso Senhor e dos nossos inimigos». Então, pergunto eu, como é que este espírito se pode ajustar a essa política do multiculturalismo? Um dos dois tem que ceder a favor do outro. Qual cederá? Jesus Cristo, a Palavra da Salvação pela qual Ele, Jesus Cristo, não se acobardou, mas derramou o seu sangue por toda a Humanidade? Nem pensar. Fora de Jesus Cristo, ao fim e ao cabo, fora da Trindade, o que temos é a desunião, fonte de todo o mal.
A patranha do multiculturalismo não avançou em Portugal tanto como avançou no resto da Europa... talvez porque a nossa vocação mais profunda é marítima desde séculos.
Voltemo-nos para o mar porque o sangue de tantos e tantos portugueses derramado neste mar nos reclama.
O mar é a nossa verdade.  

sábado, 9 de junho de 2018

Cristianismo e milagres

Não poucas pessoas têm dificuldades na aceitação do milagre de que o Cristianismo tanto fala.
Por mim, acredito em milagres sem a mais pequena sombra de dúvida.
Por exemplo, eu sou filho de pais analfabetos e pobríssimos, fiz a Universidade, fui professor e hoje gozo a aposentação. Alguém quer milagre mais verdadeiro que este?
Até parece que estou a ouvir as pessoas a dizerem-me que os milagres de que se queixam no Cristianismo são, por exemplo, os do tipo de Jesus Cristo dar vista a um cego de nascença.
Mas cego de nascença fui eu e, pela infinita misericórdia de Deus, foi-me dada uma luzinha ao fundo do túnel.
As pessoas continuam a dizer-me que não é isso. Que o cego de nascença do Evangelho era-o fisicamente. Ora é aqui que começa todo o equívoco.
O "conceito" de milagre para as pessoas é dar-se um estalido de dedos e logo aparecer à frente um pão alentejano carregado de chouriço por dentro. Isto nunca aconteceu, uma só vez, desde que a humanidade é humanidade nem nada disto está ao longo de toda a Bíblia. O Cristianismo é uma religião de esforço e não do ilusionismo.
É preciso perceber que os Evangelhos estão feitos para os simples, mas as metáforas escondem um sentido superior que se ordena à plenitude da vida. 

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Câmara de Alcochete e os Pintos


Meus amigos, a política é o que é.
Quero dizer: a minha análise não pode partir de subjectividades que não têm cabidela em parte nenhuma.
Desde que os representantes políticos de uma comunidade não sejam adeptos de totalitarismos que matam a ânsia de justiça dentro de cada ser humano, temos que lidar com os homens e mulheres eleitos para a gestão dos nossos destinos.
Fernando Pinto e Vasco Pinto vêm da melhor cepa alcochetana, considerando eu que na actual conjuntura política em Alcochete estamos muito bem servidos de autarcas.
O bom entendimento que há entre o cabeça do PS e o da coligação local PSD-CDS é a grande esperança para o futuro da nossa terra.
Mas não chega que os Pintos se entendam. Todos nós devemos colaborar com o Presidente da Câmara e o Vereador da Cultura se não quisermos o regresso dos comunistas.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Pensamentos, palavras e obras na linha da contra-razão destroem indivíduo e comunidade

Se me dizem que dois mais dois são três ou cinco, é dentro da contra-razão que me respondem.
Se me dizem que as minhas faculdades, vale dizer, capacidade e actividade não estão unidas por uma terceira, a vontade, é dentro da contra-razão que me respondem.
Se me dizem que eu, feito à imagem e semelhança de Deus (Gn 1. 26), não sou uma pequeníssima centelha da Trindade, Pai e Filho na unidade do Espírito Santo, é dentro da contra-razão que me respondem.
Vejo, portanto, que a contra-razão de não poucos no insano ataque à Trindade ataca a minha estrutura mais intrínseca, razão por que a minha atitude de defesa é legítima.
A minha atitude de defesa é legítima porque se eu não defendo a unidade que me constitui, deixo de estar em condições de defender a união da minha comunidade.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

China’s Christian persecution of highest level since Mao

China’s Christian persecution of highest level since Mao

Por vezes desço ao inferno

Por vezes, embora a correr, desço ao inferno e visto a pele do negador de Deus.
Este exercício levanta em mim tal absurdez que me vejo na impossibilidade de concatenar com clareza as minhas ideias.
Bom! Se eu nego Deus, nego a minha condição de criatura... salvo se perder o último pingo de coerência.
Mas é evidente que se nego a minha condição de criatura, nego a mesma condição ao outro.
Portanto, o conceito de filho de Deus cai por terra.
Nesta conformidade, não vejo como ver no rosto do outro um irmão. Como vou amá-lo, isto é, respeitá-lo na dignidade de pessoa humana?
É que sem Deus não vejo a possibilidade de uma verdadeira moral.
Vou trocar a moral por direitos e obrigações estabelecidos pelos homens? Mas inclusivamente aqui preciso acreditar porque não posso aceitar e cumprir coisas que não são objecto da minha crença... adesão ou o que se lhe quiser chamar.
Abro os olhos e reparo que substituo a fé em Deus pela fé no homem. Mas eis que acabo de cair em contradição porque não se pode negar o Criador sem negar a criatura.
Afinal, creio no quê? Na negação? Mas isto é o mal!


terça-feira, 5 de junho de 2018

Cristianismo e realidade

Os Evangelhos são grandes pilares do Cristianismo, religião que funda a Civilização Ocidental.
Como foi sendo feita essa fundação? Aceitando o império da lei.
Vejamos estas palavras postas na boca de Jesus Cristo pelo Evangelista: «Mestre, qual é o grande mandamento da lei? Jesus lhe disse, Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o máximo e o primeiro mandamento. E o segundo semelhante a este é, Amarás ao teu próximo como a ti mesmo» (Mt. 22, 36-39).
Como amo Deus? Assumindo-me criatura. Como amo o próximo? Não lhe ferindo o rosto.
Eis a realidade. Mas se eu inverto esta, nego a minha condição de criatura, ponho-me no lugar de Deus e inviabilizo o encontro dos rostos, isto é, o encontro dos filhos de Deus rumo à plenitude da vida.